A abundância que vem para o mal, ou bem

Já é de total conhecimento que  caviar pode ser encontrado facilmente em qualquer supermercado ou em alguns mercados menores.  Porém, já a algum tempo algo inusitado vem acontecendo. O caviar começou a ser comercializado em pequenas feiras por todo o país! Poisé, o alimento mais cobiçado pelos magnatas de Edulis começou a aparecer em algumas feiras e por um preço muito inferior do  que geralmente é comercializado nos grandes supermercados.

"A minha vizinha, dona Silvana, disse que até que encontrou esse tal de caviar numa xepa atrás do mercado da esquina, mas eu acho que é mentira (...) já ta bom demais encontrar na feira, na xepa já vira esculacho!"

Mas como explicar o aparecimento repentino desse alimento por um preço inferior? Segundo o especialista em Zootecnia, Ricardo Salles, uma alteração na corrente Sul Tropical fez com que uma grande quantidade de peixes chegasse até o litoral do país, possibilitando assim uma grande oferta do produto no mercado. E como todos já sabem, quando um produto encontra-se com alta disponibilidade no mercado seu preço tende a descer.

Desse modo, um grande problema social começa a ser construído em Edulis: mais pessoas estão passando a consumir caviar e, portanto, quererem reconhecimento de classe A. Quem não está gostando nada disso é a elite do nosso país, que se vê equiparado à alimentação de uma série de cidadãos que apesar de não terem dinheiro para pagar a conta de luz, estão desfrutando do status do alimento.

Contudo, a indústria do setor voltada à classe A reforça a diferença entre o seu produto e o disponível nas feiras. Segundo a empresa Caverr, sua ovas são importadas de países de regiões mais frias e por isso possuem um sabor muito mais concentrado do que os animais encontrado aqui em água mais quentes. Essa justificativa ainda é utilizada por muitos da classe A para defender seu prestígio, porém Ricardo alerta para o fato de que os animais aqui presentes são os mesmo encontrados nas regiões mais frias o que não alteraria a pureza final do produto.

Dentre todos esses conflitos socioeconômicos, um que surge de como curioso é a tentativa de ascensão da classe D. Historicamente com o produto sempre à disposição as classes A e B nunca tiveram problemas para desfrutar do alimento. Porém a classe C que passa a ter acesso produto, ao mesmo tempo que tenta se consolidar como classe B (por seu baixo consumo de caviar ainda não pode ser considerada classe A) ainda possui um "árduo" trabalho de não permitir a chegada do produto na xepas, evitando assim que a classe D não ocupe o mesmo patamar que o seu em apenas alguns dias.

Créditos: Papel de Parede